Em nove décadas, gerações se sucederam. A platéia tornou-se torcida, e a torcida tornou-se nação. Apesar da elitização do futebol que vem, nos últimos anos, ofuscando o brilho das arquibancadas alvinegras, as quais, inclusive, tornaram-se mais verdes do que nunca, é evidente a íntima relação desse clube com as mais populares comunidades. Celebra-se aqui, portanto, o futebol brasileiro na sua mais intensa expressão: a mobilização do povo.
O Time do Povo Catarinense
Em nove décadas, gerações se sucederam. A platéia tornou-se torcida, e a torcida tornou-se nação. Apesar da elitização do futebol que vem, nos últimos anos, ofuscando o brilho das arquibancadas alvinegras, as quais, inclusive, tornaram-se mais verdes do que nunca, é evidente a íntima relação desse clube com as mais populares comunidades. Celebra-se aqui, portanto, o futebol brasileiro na sua mais intensa expressão: a mobilização do povo.
De 1921 a 1951 – Os Figueirenses
A divisão política do município estava adequada a suas dimensões, coexistindo diversos conjuntos urbanos no que atualmente compreende apenas um bairro: o Centro. Situavam-se ali, dentre outros, os bairros da Rita Maria, do Menino Deus, do Mato-Grosso, da Tronqueira, da Praia de Fora, do Arataca e da Figueira. Este último compreendia as imediações das ruas Conselheiro Mafra e Padre Roma que, naquela época, eram caracterizadas como arrabaldes.
Os jogadores, torcedores, diretores, enfim, todos os que se envolviam com o futebol do Figueira eram chamados de "figueirenses", termo adjetivo que foi sendo substituído, ao longo do tempo, pelo consagrado "alvinegros".
Desde o primeiro clássico, registrou-se a presença de uma notável assistência cujo destaque principal era a atuação feminina. A rivalidade, que nasceu no campo, logo se transferiria para as arquibancadas, dividindo as torcidas e, por conseqüência, a cidade inteira. A história nos mostra que, no entanto, essa divisão foi construída de forma desigual.
De acordo com a obra de Borges, o jornal “A Gazeta” em edição de 1936 lançou um concurso para definir qual clube era o mais simpático da cidade. Com maioria dos votos, venceu o time da Figueira, que foi premiado com um troféu. O Avaí, originário da Pedra Grande (atual Agronômica), terminou em segundo lugar, recebendo uma bola de futebol.
Em 1951, a Rádio Diário da Manhã promoveu o clube preferido da opinião pública. Novamente, a maioria alvinegra se evidenciou, consagrando o Figueirense com 8.931 votos, contra 6.260 do rival.
1960 – A Invasão Alvinegra no Continente
A construção de uma praça de esportes nas dimensões pretendidas, numa cidade ainda sem grandes possibilidades econômicas, foi um processo lento e difícil. O time sacrificou anos de sua prática esportiva para angariar recursos na construção de sua casa. Primeiramente, em 1945, transferiu sua sede para o bairro do Estreito, iniciando as obras para construção do campo somente em 1948. Apenas 12 anos depois, em junho de 1960, foi parcialmente inaugurado o Estádio Orlando Scarpelli, e o clube passou a mandar seus jogos, definitivamente, na parte continental da Capital.
Unidos da Coloninha
Esta agremiação cultural e recreativa teve no Figueirense, sua principal referência. A escola cuja identidade se veste de verde e azul tem no coração a paixão pelo preto e branco, e nunca escondeu isso. Das quatro grandes escolas de samba de Florianópolis, das quais fazem parte avaianos e alvinegros, a única que apresenta uma enorme maioria, quase unânime, de torcedores de um único clube é a Unidos.
O Figueirense se orgulha de possuir grandes representantes em diferentes setores culturais e a Unidos da Coloninha, com toda a sua tradição no carnaval catarinense, é mais uma mostra da força da Torcida.
Atualmente, a Coloninha integra cerca de 3 mil componentes em seus desfiles, possui uma grande sede e realiza os ensaios ao lado do estádio Orlando Scarpelli. Recebeu recentemente, através do Instituto Brasileiro de Pesquisa de Opinião Pública, o título de escola de samba mais querida de Santa Catarina.
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Crianças da Unidos da Coloninha em desfile de 1962.

A Escola de Samba dos Alvinegros.
Créditos: Marco Nunes e Site da Unidos da Coloninha
Década de 70 – Anos Dourados
Os holofotes da imprensa estavam todos direcionados ao Orlando Scarpelli; os tradicionais bailes preto e branco agitavam as noites da cidade; a tietagem fez brilhar os ídolos, dentro e fora de campo; a liderança marcante do Major Ortiga dava personalidade à diretoria; enfim, o futebol alcançava seu auge no Brasil e, em Santa Catarina, o protagonista era o Figueirense. Vestir as cores preto e branco estava, mais do que nunca, na moda. E foi no período entre 1970 e 1980 que, possivelmente, registrou-se o maior crescimento da torcida alvinegra.
Figueirense no Scarpelli - Década de 70.
Foto utilizada em publicidade do Figueirense nos jornais da época.

Toninho Catarinense, craque do Figueira, na capa da revista Placar (outubro de 75).
O Gigante Acordou

"Eram 5 horas e 22 minutos da tarde quando um velho DC-3 da FAB fez uma suave curva sobre o Orlando Scarpelli. Aqui embaixo, um homem de preto, baixo e atarracado, ergueu sua mão direita para o céu. Era o sinal.
Egon, com uma vistosa camisa amarela, saiu correndo para o túnel, assim como todos os outros jogadores do Figueirense. Os portões do alambrado foram abertos pela torcida e de repente, o gramado – palco e posse, até ali, de 22 pessoas – transformou-se numa grande festa. Era o campeonato voltando à Capital, depois de 13 anos, e voltando ao Figueirense depois de 32.
Uma imensa bandeira alvinegra foi aberta e começou a circular, já tocada pela glória do título. Tão grande era, que envolveu um policial nas suas malhas. Este, irritado, deu uns puxões nos torcedores, escusando-se a dar trânsito ao público. "É Avaí! É Avaí!", gritaram.
No meio do campo se ascendiam velas. Pela esquerda, surgia carregado nos ombros o treinador Jorge Ferreira, que um pouco depois, de sapatos e meias, colocava os pés sob uma torneira.
Foi a hora em que, voltando dos vestiários, a equipe campeã iniciou a volta olímpica. Mesmo depois do jogo, o preparo físico estava excelente. Tentando acompanha-la, o presidente José Mauro Ortiga, apesar de ter tirado seu pesado capote, ficou na metade do caminho. À esquerda das cadeiras especiais, a torcida do Avaí a tudo assistia em silêncio.
(...)
Nas ruas a festa prosseguia. O número de pessoas e carros que lentamente deixava o estádio assegurava que, desta vez, o futebol voltou para a ilha para ficar, trazido pelo Figueirense, um time que nunca deixou de estar em ascensão, durante todo o campeonato."
Figueirense 0 x 0 Avaí. Orlando Scarpelli, Florianópolis, 3 de setembro de 1972. O futebol de Santa Catarina assistia ao despertar de um gigante: o maior fenômeno popular do esporte catarinense voltava a figurar entre os consagrados campeões estaduais, em busca da hegemonia perdida na década de 40. A conquista de 72, sobre o maior rival, não foi importante apenas para o clube alvinegro, mas para o campeonato em si, que até então não tinha visto uma comemoração de tamanha expressão.
1972 e 1973 – A Consagração da Maioria
Naquela época, vale dizer, Florianópolis ainda era o município mais populoso de Santa Catarina, seguido por Lages. Por si só, a Capital já garantia a maioria alvinegra. Mas foi a conurbação regional (com destaque para os municípios de São José e Palhoça) que, desde então, determinou o marcante desequilíbrio com relação aos outros clubes na disputa pela preferência.
Scarpelli em 1972 – Faixa parcialmente registrada pela fotografia enunciava: Figueirense, a maior torcida.
Em 1973, a revista Placar, em edição especial, promoveu o concurso “O Mais Querido”, que consagrou as maiores torcidas em cada estado brasileiro. Em Santa Catarina, a publicação reconheceu a força popular do Figueirense.

Pôster do time do Figueirense, publicado na revista Placar em 1973.
Torcida Feminina Figueirense
“Algumas não entendem nada de jogo, e ficam paquerando todo o tempo. Mas há as que, entendendo, sofrem, roem unhas, se despenteiam. Está próximo o dia em que uma delas, depois de derrubar meia dúzia de Brahmas no bar, vá até o alambrado e com o copo em riste, dê o grito de guerra: Figueirensôôôôôô!”
As alvinegras de 70. Hoje elas são as vovós da nova geração.
1975 - A Festa do Povo
Após o time se classificar para a fase final, vencendo o Bahia, em plena Fonte Nova, a capital catarinense se pintou de preto e branco. Naquele momento, não apenas brilhava o nome do time pelo país, mas também o nome da Cidade e do Estado. O orgulho se traduziu numa enorme projeção popular e o time desfilou em carro aberto através de uma multidão de torcedores que se concentrava na Praça XV de Novembro.
Aquele dia ficou marcado na memória da cidade como o dia em que o Figueirense mostrou-se, verdadeiramente, um gigante. Cerca de dez mil torcedores participaram da grande festa, que se iniciou na segunda-feira pela manhã e terminou na madrugada do dia seguinte. O time desfilou em caminhão da polícia militar e foi recebido pelo governador e pelo prefeito da Capital.
Figueirense Parou Florianópolis

Com o título: "E a cidade parou...", o aludido jornal publicou, nos dias que sucederam aquela histórica comemoração, caderno especial que trazia uma seleção de fotografias da festa. Dentre as quais destacavam-se duas: a que mostrava a multidão que invadiu a Praça XV de Novembro e outra, colocada no centro da primeira página, que registrava em meio ao imenso tumulto uma senhora sorridente. Naquele momento, Florianópolis era a cidade de um só time.
Foto destacada nos registros do jornal.
Milhares de torcedores invadiram as ruas da cidade.
Carros desfilavam com as bandeiras alvinegras.
Os gritos de "Figueeeeeira" eram os mais exaltados.
Créditos: Arquivos do Jornal O Estado
Mais de 15 mil Torcedores por Jogo
Confira as maiores médias de público da história do Campeonato Brasileiro (por clube):
1. Flamengo: 66.507 (1980)
2. Atlético-MG: 55.664 (1977)
3. Santos: 49.306 (1983)
4. Corinthians: 47.729 (1976)
5. Internacional: 46.971 (1979)
6. Bahia: 46.291 (1986)
7. Vasco: 46.281 (1983)
8. Fluminense: 43.541 (1976)
9. Palmeiras: 42.417 (1983)
10. São Paulo: 41.179 (1981)
11. Cruzeiro: 37.035 (1983)
12. Grêmio: 36.648 (1981)
13. Sport: 35.580 (1998)
14. Botafogo: 34.720 (1981)
15. Náutico: 30.918 (1983)
16. Goiás: 28.158 (1983)
17. Vitória: 27.022 (1993)
18. Atlético-PR: 23.801 (1983)
19. Fortaleza: 23.731 (2005)
20. Coritiba: 21.754 (1980)
21. Figueirense: 16.696 (1975)
Fonte: Revista Placar - Guia do Brasileirão (2008 e 2009).
Os dados podem ser conferidos no site da Rec. Sport. Soccer Statistics Foundation (RSSSF).
1979 - Todos na Primeira Divisão
Segue, abaixo, a média de público das cinco maiores torcidas de Santa Catarina:
1º Figueirense Futebol Clube: 9.894 torcedores por jogo
2º Joinville Esporte Clube: 7.400 torcedores por jogo
3º Criciúma Esporte Clube: 4.705 por jogo
4º Avaí Futebol Clube: 3.824 torcedores por jogo
5º Associação Chapecoense de Futebol: 2.158 torcedores por jogo
Fonte: Futpédia: http://futpedia.globo.com/
Vale lembrar que o estádio Orlando Scarpelli, por ordem da CBF, recebeu todos os jogos do time do Avaí, por ser o único estádio de Florianópolis capaz de sediar jogos de nível nacional.
Em 1979 o Orlando Scarpelli recebeu sua última grande reforma.
1984 – Novamente Consagrada
Em 1984, depois de ter perdido o título do ano anterior em seu próprio estádio, completamente lotado, num empate sem gols com o time de Joinville, o Figueirense teve nova chance de levantar a taça. Mas, infelizmente, acabou por repetir o resultado do ano anterior, contra o mesmo Joinville, no mesmo Scarpelli, na frente dos mesmos 25 mil torcedores.
Nesse campeonato, vale lembrar, registrou-se um dos maiores públicos em clássicos até então. Segundo a diretoria alvinegra, mais de 25 mil torcedores assistiram ao jogo, dos quais apenas 19.581 pagaram ingresso. A propósito, de acordo com o historiador Jairo Roberto de Sousa, dos cinco maiores públicos da história dos clássicos, quatro foram documentados no estádio do Figueirense.
No mesmo ano, conforme os registros do historiador Maury Borges, o jornal O Estado confirmou o que as arquibancadas continuavam a evidenciar. O resultado de mais uma promoção de ampla divulgação reafirmou o Clube como o mais querido de Santa Catarina. Num total de 51.929 votos, o Figueirense venceu com 42,7% e o Avaí ficou com 33,1%.
1985 – Duas Torcidas, Uma Tradição

Na penúltima rodada do hexagonal decisivo com espírito de semi-final, já que os vencedores decidiriam o título, Avaí e Figueirense jogaram em seus domínios contra fortes adversários. O Leão da Ilha pegou o Leão do Sul e o Furacão entrou em campo contra o JEC.
No dia seguinte, o jornal O Estado publicou as fichas técnicas dos jogos de Florianópolis:
Avaí 4x0 Hercílio Luz
Local: Estádio Governador Aderbal Ramos da Silva, na Ressacada, ontem à tarde.
Arbitragem: José Carlos Bezerra, auxiliado por João Manoel Florêncio e Jair Francisco da Rosa.
Gols: Catatau aos 16 e Duda aos 24 do primeiro, Décio Antônio aos 6 e novamente aos 41 do segundo tempo.
Renda: Cr$ 40 milhões e 16 mil.
Público pagante de 4 mil 706 pessoas.
Figueirense 1x2 Joinville.
Local: Estádio Orlando Scarpelli.
Arbitragem: Dalmo Bozzano, auxliado por Itamar Valente Vieira e Eurico Martins.
Gols: Wagner aos 24 pelo JEC, Vanusa aos 27 pelo Figueirense e Nardela, aos 34 pelo JEC, todos no segundo tempo.
Renda: Cr$ 148 milhões e 406 mil.
Público pagante de 10 mil 246 pessoas.
E a história assim se fez...
Os Símbolos do Figueirense


Avante Figueirense
Pra frente Furacão
S’embora esquadrão de aço
És tesouro do meu coração
Tua torcida é garra, é empolgação
Vejo em ti pujança
De um grande esquadrão
Por ti torcemos
Por isso somo alvinegros
A força do Scarpellão
Por ti torcemos
Por ti vibramos
Figueirense
És o nosso campeão
1987 – A Torcida Campeã
Atualmente se percebe, quando da queda de um grande clube do futebol brasileiro à divisão inferior, uma grande mobilização das torcidas no sentido de ajudar o seu time do coração a voltar ao lugar que lhe pertence. Em 1987, ocorreu algo semelhante em Santa Catarina: o Figueirense, clube mais popular do Estado, disputava, pela primeira e única vez, uma humilhante segunda divisão. A torcida compareceu em massa ao Scarpelli e a imprensa fez uma inédita cobertura do campeonato.
No dia 5 de dezembro daquele ano, após a desastrosa final contra a equipe de Blumenau, que ficou com o título em pleno Orlando Scarpelli, o jornal O Estado, com a manchete “Chuva, suor e lágrimas”, assim publicou:
“O Figueirense não foi o campeão, mas mostrou que tem uma torcida invejável, apaixonada. O apoio foi decisivo durante todo o campeonato e ontem à noite, quando o juiz Dalmo Bozzano encerrou a partida, acabou seu sonho, o de ser campeão depois de 13 anos. Não deu Figueira, mas nem por isso a torcida mostrou-se vingativa. Ao contrário, calou os torcedores do Blumenau, que comemoravam o título, com um aplauso a seus jogadores que com certeza não foi menos gratificante que a Taça Governador do Estado (...) Ser Figueirense é sobretudo, ser um apaixonado (...) O Figueirense não foi o campeão, mas sua torcida foi.”
1990 - Tens a Torcida Mais Fiel do Nosso Estado
Em 2 de dezembro de 1990, num domingo memorável, o Figueira finalmente sagrou-se campeão! Da Copa Santa Catarina. Copa Santa Catarina?
O Figueirense era um gigante tentando sobreviver num calendário de time pequeno. Com o estádio lotado e a torcida empolgada, a fraca competição ganhou valor e aquela final contra o Brusque parecia final de Copa do Mundo. O time ainda recebeu as faixas de campeão num amistoso contra o Botafogo do Rio de Janeiro, enobrecendo assim sua conquista. No entanto, aquilo tudo não passava de uma grande ilusão. O Clube se encontrava num dos momentos mais difíceis de sua história e a Copa Santa Catarina só serviu para mostrar que a única herança do glorioso passado era a sua fiel e invejada torcida.
Coluna de Mário Ignácio Coelho do jornal O Estado (04/12/1990)
O leitor já imaginou se o Figueirense estivesse disputando um título estadual ou uma classificação em Campeonato Brasileiro, o que aconteceria? O estádio Orlando Scarpelli, a julgar pelo que houve no domingo, seria pequeno para abrigar uma torcida carente de conquistas expressivas (...) O mais evidente, isto sim, é a fidelidade de um público excepcional, como pouquíssimos em Santa Catarina – seria o maior? – e dono de um salutar fanatismo que poderia ser catalisado para a construção de um clube mais sólido e sem alguns improvisos típicos do amadorismo que infelizmente campeia por aqui. A taça Santa Catarina, um apêndice de calendário, provou que a torcida pode assumir uma equipe mais qualificada.
1991 – Os Gaviões Alvinegros
Por obra dos Gaviões, Santa Catarina conheceu o lança-fita, o bandeirão, os sinalizadores... Enfim, a festa diferenciada partiu do Scarpelli e se propagou ao interior do Estado através das caravanas.

Reportagem publicada em jornal.
Ao longo dos anos, a Gaviões foi se tornando a maior entidade de representação da torcida alvinegra. Transformou-se em referência estadual e atualmente é uma das mais respeitadas torcidas organizadas do Sul.
Créditos: Site da Gaviões
1993 – Recorde de Público

A casa mais visitada de Santa Catarina.
O levantamento foi feito pelo departamento financeiro da Federação Catarinense de Futebol em 1999.
Torcida rival é motivo de piada no Campeonato Catarinense de 1993.
1994 – A Invasão Alvinegra em Criciúma

Vinte anos de sofrimento e a festa do time do povo.
Depois do campeonato de 1993, o qual consagrou a torcida, mas não o time, o Figueirense tinha novamente a chance de se tornar campeão estadual. A final seria, coincidentemente, contra o mesmo Criciúma, e a primeira partida seria no Estádio Heriberto Hülse.
A campanha de superlotação de ônibus e microônibus iniciou na semana anterior ao jogo, por iniciativa da Gaviões Alvinegros, com o apoio da diretoria alvinegra. Como já era de se esperar, faltou ônibus, e muitos torcedores viajaram até Criciúma de carro próprio. No dia do jogo, pela manhã, houve intensa confusão no embarque da torcida, ficando de fora mais de uma centena de torcedores uniformizados, pois não havia vaga nos ônibus nem nos carros particulares.
Quando a caravana alvinegra chegou à Criciúma, por volta das 15 horas, a cidade parecia deserta. Os criciumenses, em sua grande maioria, estavam na praia do Rincão para fugir do calor infernal. Logo na entrada da cidade, uma empresa anunciava um produto que no verão vende mais do que água. Ou melhor, tinha água. Uma piscina de porte médio foi invadida por torcedores do Figueirense, que se banharam cantando os gritos de guerra, desfraldando bandeiras e soltando foguetes. Foi ali que a galera alvinegra avisou: “estamos aqui”.
Quando os portões do estádio Heriberto Hülse foram abertos, ficou evidente a maioria de torcedores alvinegros na arquibancada. Foi uma loucura, quando a Gaviões Alvinegros chegou ao estádio, acompanhada pela velha Charanga do Paulinho. Tinha gente chorando de emoção, de felicidade. Gente sofrida que acreditou no time até o último minuto; que soube esperar duas décadas para, enfim, ver O Mais Querido campeão de novo.
A torcida alvinegra invadiu Criciúma em 1994.
Ainda sobre Criciúma, um detalhe importante: o torcedor adversário soube se comportar, sem violência. A torcida criciumense, ao apito final do árbitro Dalmo Bozzano, aplaudiu a galera do Figueirense, que incentivou o time do primeiro ao último minuto.
O público total foi de 6.386 torcedores, com cerca de 3.500 torcedores do Figueirense.
Torcida Invade o Gramado

"Depois de 20 anos na fila pelo título estadual, a torcida não agüentou e pulou as grades do Estádio Orlando Scarpelli ontem, invadindo o campo quando ainda faltavam nove minutos para o término da partida. Bêbados, alegres, felizes da vida, só a taça faltou à grande festa dos fanáticos que comemoraram a vitória.
Logo no começo, com “olas” perfeitas, a imensa torcida já anunciava “É campeão! É campeão”, mesclando seu grito de guerra com o samba vencedor do Salgueiro, “Explode coração, na maior felicidade, delírio meu Figueira...”
Uma hora antes do início do jogo, o Estádio Orlando Scarpelli estava com 70% de sua ocupação preenchida. A Gaviões Alvinegros chegou a explodir 50 baterias de foguetes (15 mil tiros), à meia hora do início da partida, de empolgação. E na entrada dos jogadores, foram mais 50 baterias, somadas a milhares de rolos de papel higiênico e fumaça preto-e-branca.
O primeiro gol de Ricardo, aos 18 minutos, enlouqueceu o público. Sem parar de gritar, veio o pênalti marcado por Dalmo Bozzano, que fez a torcida delirar. O estádio inteiro, num compasso só, pulava de alegria com os dois a zero sobre o Tigre.
Aos 36 minutos do segundo tempo, uma multidão se pôs rente às telas de proteção, e em poucos segundos invadia o campo para comemorar. Festa geral. Os jogadores do Criciúma corriam desesperados sob a perseguição dos torcedores alvinegros, em direção ao vestiário.
Com traves arrancadas e o campo totalmente tomado pela torcida, o árbitro Dalmo Bozzano encerrou a partida e passou às mãos da Federação Catarinense de Futebol a decisão do Campeonato. Mas com taça ou sem taça, os torcedores não quiseram saber. Não agüentaram nove minutos depois de 20 anos, e se abraçaram e deitaram sobre o gramado."
1996 – Surge a ASFIG
De uma simples iniciativa de um pequeno grupo de torcedores, nasceu, em 1996, a mais sólida associação de classe do futebol catarinense. Ela teve, no seu embrião, o exclusivo objetivo de engrandecer o patrimônio do clube e participar ativamente de sua modernização. Este foi o ponto de partida da Associação dos Torcedores do Figueirense, a ASFIG, que tem, entre suas responsabilidades, a de zelar pela manutenção da identidade alvinegra, manifestando amor e fidelidade às tradições do clube.
Foi por iniciativa de seus associados que o Figueirense conseguiu realizar um dos mais importantes sonhos de sua história: a construção do Centro de Treinamento do Cambirela, um dos mais modernos do sul do Brasil. A viabilidade econômica para a concretização do sonho foi garantida a partir do pagamento de mensalidades dos associados. A mais recente realização patrimonial com participação da associação foi a criação do Memorial do Figueirense Futebol Clube, instalado numa ampla e moderna área na praça esportiva do Orlando Scarpelli.
O ex-presidente e benemérito do Figueirense, Dr. Alcides Tavares, lembra que a ASFIG é a maior das heranças que deixou no clube: “acabei investindo no poder de mobilização da nossa torcida. Ela, andando pelas suas próprias pernas, gerou recursos e bancou a compra de toda área que hoje abriga o nosso CT na Palhoça. É por isso que digo: feliz do clube que tem uma torcida como a do Figueirense”.
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CFT do Cambirela, inaugurado em 2000.
Colaboração: Dr. Alcides Tavares
1997 – As Marcas do Contraste Social

A força da torcida alvinegra na década de 90.
“Clube mais popular da capital, o Figueira é uma espécie de Corinthians do Sul, que, a exemplo do paulista, adota uniforme alvinegro e possui torcedores conhecidos como gaviões (...) O Figueirense deve cerca de R$ 1 milhão, entre dívidas trabalhistas, rescisões contratuais e até atraso no pagamento de luz e água. A renda mensal, obtida com os associados, é de apenas R$ 25 mil.”
“Considerado um clube de elite, o Avaí tem entre seus torcedores comerciantes, empresários e profissionais liberais. Na hora do aperto, essa torcida endinheirada não deixa o time afundar afirmou Alexandre de Campos, vice-presidente da torcida organizada Trovão Azul.”
Aliás, um grito da torcida avaiana que ilustra muito bem essa condição cultural, é o que costumava surgir logo após um gol do Avaí contra o Figueirense: “ela ela ela, silêncio na favela”.
Na prática, as preferências se universalizaram e a diferença social, marcante até certo tempo, já não existe mais. O que persiste, e é ressaltado pelo cotidiano, é uma notável maioria alvinegra em todas as classes, sobretudo (e aí se insere uma tradição deste clube), nas comunidades mais carentes.
1999 – O Confronto das Torcidas da Capital

- Figueirense: 4.317
- Avaí: 2.522
Final do Campeonato Catarinense de 1999 - Figueirense 2x1 Avaí
1º 21.846 - Figueirense 2x2 Avaí (Orlando Scarpelli 21/05/2000)
Fonte: SOUSA, Jairo Roberto de. Figueirense x Avaí: o clássico de Florianópolis. Florianópolis: Tribo da Ilha, 2005. 405p.
2000 e 2001 – A Desigualdade na Segundona
Média de Público Pagante - Campeonato Brasileiro da Série B (2000)
- Joinville: 6.514
- Avaí: 6.089
- Criciúma: 2.894
Média de Público Pagante - Campeonato Brasileiro da Série B (2001)
- Figueirense: 8.321
- Avaí: 4.947
- Joinville: 1.783
- Criciúma: 1.747
Dados da Federação Catarinense de Futebol.
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Onze guerreiros e meio milhão de apaixonados.
De Volta à Elite

Capa do Jornal Diário Catarinense no dia 31/12/2001.
O que deveria ter se tornado realidade ainda na década de 80, quando o clube somou sucessivos “quases” na consagração maior de seu futebol, acabou por acontecer apenas vinte anos depois. No ano de 2001, como aconteceu em 1994 e como quase aconteceu em 1999, a torcida invadiu o campo antes do término da partida final.
O quadrangular decisivo foi disputado entre Figueirense, Avaí, Caxias e Paysandu. Na rodada final, os jogos entre Figueirense x Caxias, no Orlando Scarpelli, e Paysandu e Avaí, no Pará, definiram o campeão e o vice-campeão da competição.
O público documentado no jogo do Scarpelli ultrapassou a capacidade oficial do estádio: 22.530 torcedores passaram pelas catracas do Figueirense e cerca de 2 mil invadiram o campo aos 46 minutos do segundo tempo. Diferentemente de 1994, quando a invasão se deu por iniciativa voluntária da torcida, em 2001, por um gesto mal interpretado do juiz, os torcedores que já se encontravam na beira do gramado acabaram por invadir também o campo de jogo. O título de vice-campeão acabou sendo decidido na justiça desportiva e o Figueirense, mesmo perdendo os pontos da partida, sagrou-se, juntamente com Paysandu, o mais novo integrante da primeira divisão de 2002.
O gol que garantiu a grande consagração.
2002 e 2003 – Novos Recordes
Nos anos de 2002 e 2003, a média de público do Figueirense, no Campeonato Catarinense, foi superior às médias de público de Avaí, Criciúma e Joinville somadas.
Média de Público Pagante - Campeonato Catarinense (2002)
- Figueirense: 7.324
- Avaí (2.638) + Criciúma (1.950) + Joinville (1.088): 5.676
Média de Público Pagante - Campeonato Catarinense (2003)
- Figueirense: 9.236
- Avaí (2.169) + Criciúma (3.358) + Joinville (1.516): 7.043
Dados da Federação Catarinense de Futebol.
2004 - A Sétima Torcida do Brasil

Estádio Orlando Scarpelli.

Gaviões Alvinegros.
Segue abaixo a classificação das torcidas quanto à média de assistência no Campeonato Brasileiro de 2004:
1. Corinthians/SP: 13.527
2. Paysandu/PA: 13.143
3. Atlético/PR: 12.979
4. Santos/SP: 12.870
5. Palmeiras/SP: 12.791
6. Atlético/MG: 10.538
7. Figueirense/SC: 10.465
8. Flamengo/RJ: 9.707
9. Internacional/RS: 9.363
10. Goiás/GO: 9.133
11. São Paulo/SP: 8.586
12. Fluminense/RJ: 7.666
13. Grêmio/RS: 7.432
14. Coritiba/PR: 7.393
15. Criciúma/SC: 6.599
16. Cruzeiro/MG: 6.074
17. Vitória/BA: 5.936
18. Botafogo/RJ: 5.541
19. Juventude/RS: 5.038
20. Vasco/RJ: 4.770
21. Paraná/PR: 4.047
22. Guarani/SP: 3.852
23. Ponte Preta/SP: 3.826
24. São Caetano/SP: 2.480
A Torcida Reergueu o Clube
O crescimento do futebol do Figueirense deu-se pelos braços da torcida, e a recente evolução histórica prova isso:No ano de 1998 o Clube amargurava grave crise financeira que se alongou por mais de uma década. A inesperada onda de inflação do futebol tornava sem efeito o esforço de seus valorosos dirigentes. Foi então que uma eficiente administração, comandada pelo ambicioso Paulo Sérgio Prisco Paraíso (foto) e financiada por um grupo de empresários, resolveu apostar na força da torcida.
Em 2003, o número de sócios do Alvinegro alcançou a marca dos 9 mil, o triplo do que anunciava possuir o seu maior rival.
Em 2005, mais da metade do Orlando Scarpelli estava reservada aos sócios. O quadro associativo ultrapassou a média de público nas arquibancadas, com cerca de 12 mil contribuintes. Mesmo quem não costumava ir ao jogo com freqüência, pagava a mensalidade para ter seu lugar sempre reservado. A colocação de quase 20 mil cadeiras transformou o estádio: o velho semblante popular deu lugar a um visual arrojado e luxuoso.
Atualmente, o número de sócios flutua entre 10 e 12 mil torcedores, e a mensalidade, que em 1999 não passava de 20 reais, alcança hoje quatro vezes o antigo valor.
Créditos: Leonardo Estrela; Finet; Site Oficial do Figueirense e Jornal A Notícia (24/06/99)
A Média de Público nos Campeonatos Brasileiros
Estatística da Revista Placar revela as maiores médias de público, por clube, em todas as edições do Campeonato Brasileiro (Primeira Divisão) até 2006. O Figueirense, que completava naquele ano a sua 10ª participação na competição, aparece como a 5ª principal torcida do sul do Brasil.
1. Flamengo: 25.989
2. Bahia: 24.983
3. Atlético Mineiro: 24.602
4. Corinthians: 21.999
5. Cruzeiro: 19.378
6. Palmeiras: 18.296
7. Internacional: 18.158
8. Vasco: 17.579
9. São Paulo: 16.303
10. Grêmio: 15.924
11. Fluminense: 15.496
12. Santa Cruz: 15.721
13. Fortaleza: 14.635
14. Paysandu: 14.610
15. Santos: 14.210
16. Ceará: 13.955
17. Sport: 13.815
18. Goiás: 13.666
19. Remo: 13.578
20. Botafogo: 13.132
21. Coritiba: 12.750
22. Vitória: 12.985
23. Náutico: 10.761
24. Atlético Paranaense: 10.523
25. Figueirense: 10.041
26. Guarani: 8.769
27. Ponte Preta: 7.953
28. Paraná: 7.603
29. Criciúma: 6.266
30. Juventude: 5.386
Créditos: Revista Placar (Guias do Brasileirão)
2006 - Clássico em Lages
No ano de 2006, em razão da troca de gramado realizada no estádio Orlando Scarpelli, o Figueirense mandou grande parte de seus jogos do Campeonato Catarinense no Estádio Municipal de Lages, a 250 km de distância de Florianópolis.
As torcidas de Avaí e Figueirense, na iminência de um clássico no interior, competiram entre si para mobilizar o maior número possível de torcedores e mostrar, efetivamente, quem é a maior torcida ou, ao menos, a mais fanática.
Por causa da cobertura televisiva, compareceram apenas 3.824 torcedores pagantes no estádio de Lages, para assistir à partida que celebra a maior rivalidade de Santa Catarina. Destes, informou a imprensa, cerca de 3 mil eram alvinegros.
O jogo foi realizado no dia primeiro de fevereiro do referido ano, e o placar foi de 2x1 para o time de maior torcida. No fim, a confirmação do título estadual para o Figueirense fez com que o clube se tornasse isoladamente o maior detentor de títulos estaduais: 14 no total.
Final do Campeonato Catarinense de 2006 - Filmagem da Arquibancada.
Créditos: Arquivo do Jornal A Notícia.
2007 - Prestígio Nacional
No ano de 2007, a grande campanha na Copa do Brasil rendeu ao clube enorme prestígio nacional, sendo o time catarinense mais divulgado de norte a sul do País. Apesar da derrota na final, em pleno Scarpelli, a torcida apresentou para o Brasil inteiro a expressão de sua força. E é através desse impulso que o futuro ainda reserva grandes conquistas ao time do povo de Santa Catarina.
O vídeo abaixo ilustra com emoção esse marcante momento na história da torcida:
E virão muitas vitórias...
2008 - A Queda
Nas últimas décadas, todas as vezes em que a diretoria do Figueirense se afastou da torcida, o resultado foi desastroso. Desta vez, não foi diferente: a majoração excessiva dos ingressos, a falta de apoio às torcidas organizadas e a falta de iniciativa na ampliação do quadro associativo são apenas alguns exemplos.
Mesmo assim, a maior e mais fiel torcida não decepcionou e obteve, ao final desta temporada, uma média muito superior à torcida do Avaí, a qual comemorou, sem expressão, o acesso à primeira divisão.
Média de público do Figueirense no rebaixamento: 9.003 torcedores.
Média de público do Avaí no inédito acesso: 6.863 torcedores.
Como se viu, no ano de 1999 o Figueirense se achava numa divisão inferior a do seu maior rival, fato que, pelo Campeonato Brasileiro, acontecia pela vez primeira. Pois foi, justamente, nesta condição que o Clube reuniu forças e conseguiu superar, pela força da torcida, suas próprias limitações. A reação começou no campeonato estadual, quando o Furacão sagrou-se campeão, derrotando o time das antigas elites.
Dez anos depois, o acidente se repete. Que os ventos do passado inspirem, então, esta sofrida, mas incansável, nação alvinegra!
"Aqui é diferente. Aqui ninguém se rende. Pode esperar. Nós voltaremos!"
Futuro
Na medida em que a capital catarinense foi se transformando, o seu mais tradicional Clube também o foi. No entanto ainda permanecem os grandes valores que formam sua essência histórica.





A paixão resistiu ao tempo, atravessou gerações, classes sociais, raças e credos, uniu a Ilha e o Continente conquistando o coração do povo. O velho guerreiro de onze letras, quinze títulos e meio milhão de torcedores foi, é e sempre será o Mais Querido.
A Maior e Mais Fiel Torcida de Santa Catarina.













